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Posted on 17 Dec, 2014 in História, Para ir mais longe, Publicações

Entrada Solene do Patriarca em Belém

Entrada Solene do Patriarca em Belém

Cisjordanie-Bethlehem-24decembre2012-2BELÉM – A alguns dias do Natal, os olhos do mundo inteiro voltam-se para Belém que irá acolher as diferentes cerimónias da Igreja Católica na cidade em que Cristo nasceu. Uma pequena vista de olhos sobre umas destas festividades, a entrada solene do Patriarca em Belém.

Quarta-feira, 24 de Dezembro às 13h., o Patriarca desce as escadas do Patriarcado e entra no seu carro. É então, num cortejo minuciosamente preparado e organizado nos mínimos detalhes e forte em simbolismo, que se dirige para Belém. A polícia israelita cortou as entradas e os sinais estão todos verdes. De carro, o Patriarca dirige-se da porta de Jaffa para o Mosteiro de Santo Elias que marca o início da povoação de Belém. É aí que as autoridades civis e religiosas de Belém estão à sua espera para o acompanharem, seguindo pelo antigo caminho dos patriarcas. Este caminho, hoje estrada nº 60, é uma via que atravessa o país bíblico de Norte a Sul e que era o percorrido pelos Patriarcas Abraão, Isaque, Jacó. O nosso Patriarca, hoje Sua Beatitude Fouad Twal, toma esse caminho até ao túmulo de Raquel. Aí, neste local de importantes desafios políticos, os padres da cidade saúdam o cortejo.

Durante o Império Otomano, o Patriarca estava rodeado por cinco cavaleiros. Hoje, tendo em conta o muro de separação, os cinco cavaleiros de Jerusalém são substituídos por cinco cavaleiros palestinos. A porta pela qual o Patriarca passa só é aberta em raras ocasiões. Não é o check-point habitual.

Durante todo o Império Otomano, o patriarca montado no seu cavalo, partia do Palácio Patriarcal precedido pelo seu vigário que segurava uma grande cruz. Mais tarde, atrás do Patriarca recentemente chegado a Jerusalém (o Patriarca Latino só está de volta à Terra Santa em 1848) seguiam, a pé, os seus cónegos. No Mosteiro de Santo Elias, as autoridades de Belém saudavam o Patriarca e abriam o caminho até à Praça da Natividade.

É o guardião do Convento dos Franciscanos da Basílica da Natividade que espera o Patriarca. Na Praça da Manjedoura, negra de multidão, as pessoas  manifestam-se febrilmente quando começam a ouvir a música dos escuteiros, que entretanto se juntaram ao cortejo, a aproximar-se. Finalmente, depois de duas horas e meia para um percurso de dez quilómetros, o Patriarca sai do carro. Sob a aclamação da multidão e diante da porta da Humildade, o guardião acolhe e saúda o Patriarca. As vésperas, primeira celebração do ofício da Natividade, são celebradas e presididas pelo Patriarca. A procissão quotidiana das 16h até à gruta, tem lugar como cada ano, mas com uma impaciência cada vez maior no coração dos cristãos nesta noite única no mundo.

O Patriarca pode então retirar-se enquanto espera a tradicional missa da meia-noite. Se se perguntar o porquê de tantos esforços despendidos, temos de pensar na importância impar da festa de Natal para os cristãos. Alguns têm a graça imensa de viverem este acontecimento no lugar mesmo do nascimento do Filho de Deus. No entanto, no mundo inteiro, quando cada cristão, na sua Igreja em França, em Inglaterra, nos Estados-Unidos, em Espanha, em Portugal, na Alemanha, na sua congregação ou com a sua família, festeja o Natal e fá-lo com a força de uma oração unida a Belém. Compreende-se então porque é tão importante que o representante da Igreja Católica faça a sua entrada nesta pequena povoação da Judeia, onde tudo começou, ao som das trombetas e do rufar dos tambores.

Eva Maurer Morio