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Posted on 2 Feb, 2015 in Notícias locais, Para ir mais longe, Política e sociedade

Mons. Sabbah: “Um cristão pertence o seu povo, ao seu país e à sua Sociedade”

Mons. Sabbah: “Um cristão pertence o seu povo, ao seu país e à sua Sociedade”

Sabbah-209x300JERUSALÉM – No âmbito de uma conferência subordinada ao tema “Identidade dos cristãos árabes palestinos em Israel”, no Centro Henry Truman da Universidade Hebraica, no dia 22 de Janeiro, o Patriarca Latino Emérito de Jerusalém, Mons. Michel Sabbah, fez, em inglês, uma intervenção de grande qualidade que o convidamos a ler na íntegra.

Quem são os cristãos “autóctones” da Terra Santa? Quais os seus desafios hoje? Que escolhas terão de fazer para o seu futuro? Foi sobretudo a estas três questões que Mons. Michel Sabbah, Patriarca Emérito Latino de Jerusalém, tentou responder durante esta conferência na Universidade Hebraica, a 22 de Janeiro de 2015.

Mons. Sabbah, filho de Nazaré, viveu ainda como seminarista a guerra de 1948 e em seguida, já como padre, a de 1967. Como Pastor da Igreja Latina em Jerusalém, conheceu a primeira e a segunda intifada assim como a Guerra do Golfo, mas também a criação da Autoridade Palestiniana, uma vez que foi Patriarca da Igreja Mãe durante 20 anos, de 1988 a 2008.

Ele estruturou a sua conferência, de 9 páginas, segundo 5 linhas-mestras “Quem somos?”; “Os cristãos em Israel e na Palestina: os chefes das Igrejas”; “Os cristãos em Israel, o povo”; “Cristãos no Médio Oriente” e “o nosso futuro”.

Respondeu à primeira questão sublinhando “nós somos cristãos aqui em Israel e somos, ao mesmo tempo, cristãos no Médio Oriente” Afirmou que, apesar das diferentes “raízes étnicas e linguísticas”, que os nomes das diferentes igrejas reflectem, a maior parte dos membros destas igrejas têm hoje um “sentido de pertença ao mundo árabe” dando como exemplo a Igreja Grega Católica Melequita.

Constatou, em seguida, a presença de quatro famílias eclesiásticas na Terra Santa: Ortodoxas, Orientais, Católicas e Protestantes. Tendo todas chefes e fiéis presentes na Terra Santa. “Apesar de sermos diversificados e divididos hierarquicamente, mantemos, na grande maioria das vezes, boas relações”, sublinhou. E ao falar do dever moral dos chefes das Igrejas, explicou que “quando se trata do conflito Israel-palestino em que vivemos os fiéis esperam que a Igreja se exprima a favor da justiça e da defesa dos direitos, e é nosso dever fazermos ouvir a nossa voz”.

E continuou: “as autoridades políticas, pelo seu lado, dizem-nos: o conflito, a ocupação tudo isto é do foro da política e vós, chefes religiosos, fiquem bem longe, falai de paz, rezai pela paz, mas fiquem à distância e sossegados, ocupai-vos das vossas orações o do vosso incenso”

 No que diz respeito aos cristãos em Israel explicou que há “ duas situações a distinguir (…) a primeira é nos territórios ocupados, a segunda é no interior de Israel. Nos territórios ocupados os cristãos estão sob ocupação militar (…)” Enquanto “em Israel os Palestinos cristãos são cidadãos” sublinhou o Patriarca Emérito explicando, em seguida, os diferentes desafios e problemas destes dois grupos de cristãos “autóctones” e homogéneos.

Sua Beatitude o Patriarca Sabbah está no entanto consciente de que “um cristão pertence ao seu povo, ao seu país e à sua sociedade” o que os cristãos, principalmente os do Médio Oriente, testemunham desde há séculos. Pois, mesmo sendo “poucos em número, não somos, no entanto, nem minorias nem elementos estranhos nos nossos países” 

Por último, Mons. Sabbah debruçou-se sobre o futuro dos cristãos nesta região explicando que este “depende do próprio futuro de Israel e da Palestina” remetendo para  cada cristão em consciência e responsabilidade  a escolha “tendo presentes todos estes factores externos, locais e internacionais (…) salientando que “o nosso futuro como cristãos depende essencialmente de nós próprios, da nossa própria fé”. Uma vez que “a fé torna-se uma força espiritual” e se somos confrontados com mortes e massacres temos de viver com o espírito de mártires: darmos a nossa vida (…).

 

Firas Abedrabbo

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