Pages Menu
Categories Menu

Posted on 25 Feb, 2015 in História, Para ir mais longe

Jerusalém na Bíblia

Jerusalém na Bíblia

JERUSALÉM – Entre um enorme rol de lugares geográficos e no meio de um mapa desenhado pela Bíblia, está uma cidade que se tornou o centro do mundo; Jerusalém. Se o nome da cidade, três vezes santa, é tema de muitas investigações, artigos, de polémicas, na verdade, o que diz dela a Bíblia?

Yerushalaïm no Antigo Testamento 

Citada 660 vezes no Antigo Testamento, é mencionada pela primeira vez em Josué, no capítulo 10 “Adonisédec, rei de Jerusalém, soube que Josué tinha conquistado Haï” Antes de Josué, o livro de Génesis faz alusão a Jerusalém, chamada Salem ”Melquisedec, rei de Salem, trouxe pão e vinho (Gen. 14.18). Assim, desde o primeiro Livro, Jerusalém ou Salem tem lugar no rol dos lugares geográficos. Seguidamente, a cidade é muito rica em nomes, sobrenomes, metáforas ao longo dos Livros do Antigo Testamento: Monte Sião, Trono de David, Cidade dos jebuseus, Jebus, Fortaleza de Sião, etc…É no segundo Livro de David, no capítulo 5, que David se instala na Fortaleza e dá-lhe o nome de “Cidade de David” é então que a cidade toma uma outra dimensão, ganhando em importância e poder.

Sem ter de passar em revista a totalidade das 660 menções no Antigo Testamento, este importante número, por si só, torna a cidade um elemento essencial e faz dela o lugar central, uma verdadeira personagem com as suas fraquezas (Isaías 1; 21 “E como! Ela prostituiu-se, a cidade fiel!) e os seus encantos. (Salmo 136 “Se te esquecer, Jerusalém, que a minha mão direita me esqueça! Quero que a minha língua se cole ao palato se eu deixar de ter a tua lembrança, se eu não levar Jerusalém ao cume da minha alegria”. Evocam-na como um ser humano tratando-a por tu “Oh! Jerusalém, sobre os teus muros pus guardas.” (Isaías 62). É uma cidade incarnada, viva, humana, santa, que se tornará no lugar Maior da cristandade.


Jerusalém no Novo Testamento

As primeiras menções estão ligadas ao nascimento de Jesus: primeiro em Mateus, capítulo 2, quando o rei Herodes fica Perturbado e “toda  Jerusalém com ele”. Em seguida Lucas faz uma primeira alusão a Jerusalém, quando da aparição do Anjo faz a Zacarias, no Templo (Lc. Capítulo 1, 5). A palavra Jerusalém não aparece, mas o Sacerdote vai oferecer incenso ao Templo. Ora este Templo é em Jerusalém. Lucas precisa mesmo o momento “No tempo do rei Herodes” e mais adiante, capítulo 2 verseto 22 “Quando terminou o tempo prescrito pela lei de Moisés para a Purificação, os pais de Jesus levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor” e desta vez nenhuma alusão. É em seguida, quando Jesus, com doze anos, é encontrado no Templo pelos seus pais que que Lucas menciona de novo Jerusalém: “No fim da festa, quando regressavam, Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem.” (Lucas 2:43). É aliás Lucas, que dos quatro Evangelistas, mais menções faz a esta cidade.

Jerusalém tem um lugar central simbolizando a relação entre Deus e o seu povo. É a cidade que faz Jesus chorar (Lucas, capítulo 19), ela conhece a cólera de Cristo quando este expulsa os vendilhões do Templo depois da sua entrada para a Procissão dos Ramos.

Marcos faz referência a Jerusalém quando da narração da Paixão: a Última Ceia, a prisão, Jesus frente a Pôncio Pilatos, depois a Crucificação e a Morte de Jesus na Cruz. A primeira aparição depois da Ressurreição tem também lugar em Jerusalém.

As 146 menções são, muitas vezes, metáfora: Jesus em Mateus faz referência: “… nem por Jerusalém porque ela é a cidade do grande Rei” As referências a Sião fazem a ligação com o Antigo Testamento.

É João quem evoca as visitas de Cristo a Jerusalém para a festa dos Tabernáculos (cap. 7): “Estava-se já a meio da semana da festa, quando Jesus subiu ao Templo, e aí ensinava”. Quando cura um paralítico em Betesda (cap. 5) “Depois houve uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Então em Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas há uma piscina chamada em Hebreu Betesda. Tem cinco alpendres” e a um cego na piscina de Siloé “Vai, lava-te na piscina de Siloé”

Depois, nos “Actos dos Apóstolos” Jerusalém é o princípio de tudo: cidade testemunha da Ascensão de Cristo ao Céu, da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, dos primeiros anúncios da Boa Nova, do martírio de Santo Estevão. Jerusalém, para os primeiros cristãos, está no centro.

Por fim, a referência à Cidade Eterna transforma-se em referência a Jerusalém Celeste, aquela que todos os Cristãos tardam a esperar, a que é o verdadeiro lugar de Deus como nos ensinam as Epístolas. A Bíblia abre com uma descrição do Jardim do Edem e termina com a esperança de Jerusalém Celeste. No meio, a cidade é o local de oração das três religiões abraâmicas e local de todas as paixões. Foi lá que tudo começou com o envio dos Apóstolos para correrem o mundo e é aqui que cada um procura voltar.

Eva Maurer Morio