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Posted on 28 Oct, 2015 in Slide, Uncategorized

O Palhaço Pimpa semeia sorrisos na Faixa de Gaza

O Palhaço Pimpa semeia sorrisos na Faixa de Gaza

 

GAZA – Os leitores assíduos do nosso site lembram-se com certeza do palhaço Pimpa, aliás Marco Rodari, amigo desde há muitos anos da nossa Paróquia em Gaza. Esteve lá durante a guerra de 2014. Este ano voltou por um período mais longo: três meses durante os quais fez nascer muitos sorrisos. Um testemunho.

 

O que sente quando entra em Gaza?

Uma experiência em Gaza nunca é banal, é, antes de mais, um encontro com milhares de sorrisos de crianças em rostos cheios de malícia; uma expressão típica dos que tiveram de aprender a desenvencilharem-se sozinhos desde muito novos.

Há também um provérbio “beeti beetak” (a minha casa é a tua casa), que é um ponto de honra no mundo árabe, especialmente em Gaza, e que mostra que o encontro com um estrangeiro é vivido como um momento de verdadeira festa fraterna.

As outras coisas que marcam são a falta de liberdade, de electrecidade, a ausência de alojamentos decentes, a falta de um verdadeiro trabalho, de um projecto para o futuro, a falta de paz.

O que esperava um ano depois da última guerra?

Pensava encontrar homens cansados e ruínas; no entanto, nestes últimos meses, Gaza mostrou-se mais viva do que nunca. As iniciativas sociais e culturais floresceram, os habitantes viveram um verão quase normal. Muitos jovens animaram campos de férias com um enorme desejo de levaram alegria às crianças. É preciso que nos lembremos que uma criança de 6 ano, que viva em Gaza, já assistiu a três guerras. Se considerarmos que as crianças são o futuro desta faixa de terra, penso que merecem um pouco de felicidade

Encontra-se o mesmo estado de espírito nas escolas: os professores, mas também os alunos ficam verdadeiramente felizes de poderem voltar à escola no dia determinado pelo calendário escolar e não no decidido pelas bombas.

 Conte-nos com foi este verão…

Tive uma intervenção nas zonas mais atingidas pelas destruições: em Beit Lahyah, Beit Hanou, Khan Younis e Rafah. Dei também uma série de espectáculos na cidade de Gaza. No total, fiz mais de duzentos espectáculos. Abri também uma escola de magia para crianças, onde ensino a alegria do encantamento e o de fazer sorrir os outros. Uma criança que conheça esta maravilha será um dia embaixadora da alegria e da felicidade. E a felicidade é algo de raro neste pequeno território.

Trabalhou sozinho?

De todo. Continuo uma actividade que foi iniciada pela paróquia da Sagrada Família, que é a paróquia católica no território. Vivi na paróquia durante estes três meses.

Este ano encontrei vários colaboradores em Gaza. Acompanhei os alunos da escola de circo de Gaza “Gaza Team for Circus”. Uma equipa de médicos e de psicólogos da Caritas de Jerusalém realizou um projecto de apoio psicológico junto de 300 crianças gravemente afectadas pela última guerra nas quatro regiões da Faixa de Gaza.

A actividade dos palhaços e dos médicos foi também muito intensa nos hospitais de Abed Al-Aziz e Al Nasser da cidade de Gaza e no hospital de Tahir de Khan Younis. Foram ajudados pelos fantásticos médicos da Associação “Sonhos de Gaza”. Quero felicitá-los pelos inúmeros sorrisos que fizeram nascer e pelo enorme profissionalismo de que deram prova.

Também não podíamos faltar ao encontro mágico para as crianças “Super-heróis diferentes” que teve lugar na casa da Irmãs da Madre Teresa. Este ano foi um pouco mais trabalhoso porque as crianças passaram de 27 para 50. Digamos que foi um “presente” da última guerra.

 O que o leva a fazer tudo isto?

Receber um sorriso de uma criança dá um sentido à minha vida, enche-a, completa-a. Simplesmente isso.

Tem medo?

Em guerra, não há nem grandes nem pequenos medos: é espantoso como se pode não ter pavor de bombardeamentos devastadores, o barulho que rebenta os tímpanos, sem falar na poeira, nos gritos……e ficar-se assustado co o leve barulho de um passarinho a pousar num ramo. O importante é engolir todos estes medos, mesmos os mais profundos. O espírito e o coração têm de ficar livres: sem isso a situação seria insuportável.

E as crianças, como vivem a guerra?

Há alguns dias, os aviões voltaram aos céus de Gaza, e com eles, as bombas, impossível dormir. No dia seguinte, as crianças foram para a escola, como sempre, sem nenhum cansaço nos seus olhos, simplesmente uma enorme sede de maravilhas.

 E os adultos?

Gaza é uma das regiões do mundo que tem uma das mais elevadas taxas de desemprego, ronda os 80%. É muito difícil ter trabalho. Um outro problema é a falta de ocupação, (nada para fazer, incapacidade de se dar um sentido à vida e de ganhar um salário) que atinge 4 adultos em cada cinco.

A ideia de se ter um trabalho que permita ganhar a vida é uma miragem.

Infelizmente, este tipo de empregos é muito escasso: ou trabalham no exército, no ensino, no comércio ou ainda como varredores. A indústria e a agricultura são praticamente inexistentes.

 Como resolveria o conflito israelo-palestino?

Esta questão é demasiado complicada, não é da competência de um palhaço. Encontrei uma razão, e assim uma esperança, unicamente nas crianças,

Entre os refugiados que chegam à Europa também os há vindos de Gaza. O Território está a esvaziar-se da sua população?

Gaza não se pode esvaziar, é uma prisão a céu aberto, ninguém pode escapar.

O palhaço Pimpa tem intenção de voltar a Gaza?

Gostaria de voltar a Gaza assim que fosse possível. O carinho que eu recebo de todas as crianças e de todas as pessoas que aí encontro atrai-me muito. Ninguém pode fugir de um lugar em que tenha vivido a guerra. As relações pessoais, quando elas são tecidas com sangue, tornam-se verdadeiramente fraternas.

Entrevista conduzida por Andres Bergamini.

Para saber mais sobre o Palhaço Pimpa clique em: http://lopimpa.it/

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