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Posted on 4 Jan, 2016 in Homilias FT, Patriarca, Slide, Solenidades, Vida litúrgica

Homilia do Patriarca no dia 1 de Janeiro de 2016

Homilia do Patriarca no dia 1 de Janeiro de 2016

 

JERUSALÉM – Junto, pode ler a homilia de sua Beatitude Fouad Twal no dia Mundial da Paz e na solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, pronunciada pelo Patriarca na Co-Catedral do Patriarcado Latino, no dia 1 de Janeiro de 2016.

Homilia do dia 1 de Janeiro de 2016

Dia Mundial da Paz – Santa Maria Mãe de Deus

 

Excelências,

Caros padres e freiras,

Queridos amigos,

Celebramos hoje o novo ano pondo-nos sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus.

É sempre o mistério do Natal, de Deus connosco que contemplamos e adoramos no momento em que terminamos um ano e iniciamos um novo tempo na nossa vida e mais um passo no caminho final, pessoal e comunitário, para o Senhor.

1- Deus está connosco e esta presença é-lhe querida: por isso nós mantemos a nossa esperança e a nossa alegria no meio das dificuldades e das dores que sentimos. Estamos em comunhão com os sofrimentos de todos os habitantes desta terra, Palestinos e Israelitas, mas também com todos os povos vítimas da violência. No meio de tudo isto, viramo-nos para a Virgem Maria e com Ela guardamos todos estes acontecimentos nos nossos corações por não conseguirmos entender todo o significado e razões de todas estas desgraças no Mistério da Providência de Deus e do seu amor pela sua criação.

2 – Hoje, neste primeiro dia do ano, que é também a festa desta Igreja co-Catedral dedicada ao Santo Nome de Jesus, do Patriarcado e da Diocese, envio a todos os meus melhores votos e peço que nos acompanhem com as vossas orações para que cada um nesta diocese possa continuar a ser um instrumento de salvação para si mesmo, para os fiéis que lhe são confiados para todos os fiéis dos países que compõem a nossa diocese: Israel, Palestina, Jordânia e Chipre.

3 – Este ano, de Dezembro de 2015 a 20 de Novembro de 2016, celebramos o Ano da Misericórdia. A este respeito, o Santo Padre escreve no Motu Proprio que “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai e que o mistério da Fé Cristã está todo aí. Tornada viva e visível, a Misericórdia atinge o seu ponto mais alto em Jesus de Nazaré. O Pai “cheio de misericórdia” (Ep. 2, 4) depois de ter revelado o seu nome a Moisés como “Deus misericordioso e piedoso, tardio a irar-se e grande em beneficência e verdade” (Exd. 34, 6) sempre deu a conhecer a sua natureza divina de diversas formas e em diversos momentos. Quando chegou a “plenitude do tempo, ele enviou o seu filho, nascido da Virgem Maria para nos revelar, para todo o sempre, o seu amor (Gal. 4, 4) Pela Sua palavra, pelos Seus gestos, por todo o seu Ser, Jesus de Nazaré revela-nos a misericórdia de Deus”.

No Novo Testamento, encontramos inúmeras parábolas e, de forma muito clara, duas que mostram a relação entre a misericórdia de Deus e a nossa: a do Filho Pródigo e a do Bom Samaritano (Luc. 10: 25-37). Na primeira, Jesus revela a misericórdia sem fim para com os pecadores. Na segunda mostra como essa misericórdia deve passar de Deus para os homens e da compaixão para a acção. “Sede misericordiosos como o vosso Pai Celeste é misericordioso” (Luc. 6: 36)

Na parábola do Bom Samaritano, é de notar que Jesus escolhe um homem de Samaria para socorrer o judeu ferido, quando entre judeus e samaritanos existia uma hostilidade multisecular. O que Jesus quis mostrar foi que a misericórdia passa todas as fronteiras e abate todos os muros. É uma misericórdia para com o homem enquanto homem, sem considerações de raça, de religião, de confissão, de cor, de língua ou de etnia. Como a misericórdia de Deus que não conhece fronteiras, assim deveria ser a nossa para com o próximo principalmente para com os mais fracos, os oprimidos, os marginalizados, os emigrados, os deslocados e para com os que vivem nas periferias da sociedade

Num mundo que se desumaniza cada vez mais, que se vira para a barbárie, a violência, a opressão a vocação de um cristão é a de dar testemunho da misericórdia divina em colaboração com os homens e as mulheres de boa vontade.

“Ultrapassa a indiferença e alcança a Paz!” é o lema deste 49º dia mundial da Paz, retomado pelo Papa na sua mensagem. A indiferença é o mal do nosso tempo, ela mina o nosso mundo contemporâneo. Indiferença para com Deus, indiferença para com o outro, indiferença pela sua dignidade e pelos seus direitos mais fundamentais o que é uma séria ameaça para a paz.

Queridos amigos, eis o desafio que nos é posto neste ano jubilar: passar da indiferença à misericórdia pela conversão e sobretudo fazer do amor, da solidariedade e da compaixão o nosso programa de vida.

A semente da misericórdia encontra-se em todas as religiões e nós somos, todos, responsáveis por a fazer germinar na vida pública e privada. Seremos então testemunhas de um mundo melhor, governado pela justiça, pela paz, pela ternura, pelo amor e pelo respeito mútuo. Convidamos todos os fiéis que tenham algum peso na vida política, económica, cultural, social ou familiar a viverem a misericórdia e a torná-la numa cultura que impregne o mundo que nos pertence.

Continuaremos, no ano que agora entra, a rezar pela paz na nossa terra para que os israelitas e os palestinos ponham de lado as vias da violência e comecem o caminho para a paz. O Senhor, chegada a hora, dar-nos-á a paz e a reconciliação.

Começamos hoje um novo ano, a situação mundial é desastrosa, mas eu queria dizer que apesar de tudo “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (Rom. 12, 21), pela generosidade, e pelo perdão.

“O mal não é uma força sem nome… o mal passa pela liberdade humana “o mal tem sempre um rosto e um nome, o rosto e o nome dos homens e mulheres que livremente o escolhem e que nós conhecemos. E se procurarmos as suas raízes profundas, o mal é, em definitivo, uma renúncia trágica às exigências do amor. Inversamente, o bem moral nasce do amor, manifesta-se como amor, vira-se para o amor. Isto é particularmente claro para o cristão cujo amor chega mesmo ao amor pelos inimigos. “Se o teu inimigo tiver fome dá-lhe de comer, se tiver sede dá-lhe de beber” (Rom. 12. 20).

O primeiro mandamento do Evangelho, neste ano da misericórdia, leva-nos a um comprometimento permanente e responsável a fazer de forma a que a vida das pessoas e dos povos seja respeitada e promovida. Não podemos estigmatizar com veemência os males de caracter social e político que assolam o mundo. Não podemos condenar só a venda de armas.

Neste contexto, como deixar de pensar no Iraque e na Síria onde se prolongam os conflitos que fizeram e continuam a fazer vítimas inocentes? Como não evocar a perigosa situação na Terra de Jesus, onde se não consegue entrelaçar, na verdade e justiça, os fios da compreensão mútua rompidos por um conflito alimentado, todos os dias, por atentados e vinganças?

E que dizer do trágico fenómeno da violência terrorista que parece querer atirar o mundo inteiro para um futuro de medo e angústia? É verdade que temos medo, o mundo tem medo e as bombas atómicas que se armazenam de nada servem!!

Afirmamos, com uma lúcida consciência, que a violência é um mal inaceitável, e que ela nunca resolve os problemas. “A violência é uma mentira porque vai contra a verdade da nossa fé, a verdade da nossa humanidade. A violência destrói o que pretende defender: a dignidade, a vida, a liberdade dos seres humanos”. É portanto indispensável promover uma grande campanha de educação das consciências e, sobretudo, educar as consciências dos políticos!!

4 – Durante o novo ano, continuaremos a rezar para que os dirigentes políticos e nós próprios partilhemos com todos os habitantes desta terra as suas alegrias e as suas dores. Pedimos à Virgem Maria, Mãe de Deus, que sustente a nossa esperança e a nossa paciência. Que ela nos guie na meditação e no acolhimento de Deus entre nós.

Elaboramos, para o ano da Misericórdia, um programa de orações, de celebrações litúrgicas e de peregrinações, espero que o conheçam e que fielmente nele participem.

Obrigado pelo testemunho que dais pela vossa vida, a vossa solidariedade e as vossas orações.

Um novo ano cheio de alegria e saúde. Amen.

+ Fouad Twal, Patriarca.