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Posted on 18 Jan, 2016 in Noticias da diocese, Política e sociedade, Slide

Balanço de 2015 e perspectivas para 2016, um olhar dos cristãos da Terra Santa

Balanço de 2015 e perspectivas para 2016, um olhar dos cristãos da Terra Santa

 

Terra Santa – Neste início de 2016, encontrámo-nos com cristãos da Terra Santa que aceitaram darem-nos conta do seu olhar sobre o ano que passou e do que esperam do ano que agora se iniciou. Quando estes últimos meses foram de uma enorme violência tanto no nível local como no resto do mundo, Mons. Lahham, Bispo Auxiliar e Vigário Patriarcal na Jordânia, e Sammer, um jovem cristão de Belém, dão-nos um olhar, que longe de negar a realidade, está virado para a esperança em melhores dias.

Monsenhor Maroun Lahham, Vigário Patriarcal na Jordânia.

O ano de 2015 foi um ano de violência e de sangue. O facto mais marcante foi a chegada dos cristãos iraquianos com os seus sofrimentos morais indescritíveis. No nível espiritual, foi o ano da vida consagrada, com diferentes actividades das congregações presentes na Jordânia.

Do ano que acaba de entrar, espero (tenho esperança) o fim do conflito sírio e iraquiano. Para a Jordânia espero que ela seja preservada da violência que grassa nos outros países árabes. Para os cristãos da Jordânia que fiquem no seu país apesar das ameaças e que continuem a dar testemunho do espírito cristão para com os refugiados sírios e iraquianos. Para todos, que os grandes deste mundo acabem por pôr o bem comum à frente dos seus próprios interesses.

Samer, 25 anos, jovem cristão de Belém.

O ano de 2015 foi um ano com muito medo, esperança, mas sobretudo com novas oportunidades de óptimos encontros. Através dos cursos de árabe para estrangeiros, fiz muito bons amigos que souberam compreender tão bem a minha identidade cristã como a palestiniana.

Por outro lado, participei, este ano, num curso num centro que me fez reaprender uma antiga arte nascida no meu país: a iconografia. Este centro ajudou-me a crescer espiritualmente e a aumentar os meus conhecimentos no domínio da teologia das Sagradas Escrituras. Para mim, este centro representa o poder da presença cristã num tempo e num lugar, o Médio Oriente, onde os cristãos são perseguidos e expulsos das suas casas, das suas escolas, das suas igrejas. É o símbolo de uma verdadeira resistência e uma forma de afirmar que os cristãos na Palestina estão para ficar e prosperar.

O acontecimento do ano que mais me marcou e que permanece no meu pensamento é a crise dos refugiados. Todos estes iraquianos e sírios que deixaram a sua terra natal e arriscam as suas vidas para tentarem recomeçar as suas vidas ou nos países vizinhos ou nos do outro lado do mundo. Quando o Papa Francisco pediu às pessoas que abrissem as portas e acolhessem os refugiados, percebi que podíamos pôr a nossa compaixão, o nosso amor e o coração que Deus nos deu em acção, percebi que o amor não era simplesmente uma palavra, mas acção.

Para o ano que entra, espero que os cristãos da Terra Santa possam crescer na sua fé. Da mesma forma que se devem lembrar que sem eles a Terra Santa perderia a sua identidade de lugar de nascimento do cristianismo.

Comentários recolhidos por Calixte des Lauriers
Fotografia: Thomas Charrière