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Posted on 29 Jan, 2016 in Ecumenismo, Slide

Ecumenismo de Sangue ou a União dos Cristãos no Martírio

Ecumenismo de Sangue ou a União dos Cristãos no Martírio

 

JERUSALÉM – Uma semana depois da Igreja Universal, a Igreja de Jerusalém começou as celebrações da semana para a unidade dos cristãos que decorre de 23 a 31 de Janeiro. Por várias vezes, o Papa Francisco utilizou a expressão “ecumenismo de sangue” para designar os cristãos, que seja qual for a Igreja a que pertencem, são mártires no exemplo de Cristo. O que significa isto na realidade Como vivem hoje os cristãos o ecumenismo do sangue?

Face às perseguições, os cristãos já estão unidos.

O relatório publicado pela ONG Portas Abertas indica-nos que o número de cristãos perseguidos não cessa de aumentar no mundo e em todas as igrejas. É a partir desta realidade que podemos falar do ecumenismo de sangue: os cristãos, face ao sofrimento, estão já unidos e fazem Um só junto a Jesus Cristo. O Papa Francisco declarou em Roma no dia 3 do passado mês de Julho: “Se o inimigo nos une na morte, quem somos nós para nos dividirmos em vida? (…) Sabemos que quando matam um cristão, os que têm ódio a Jesus Cristo não lhe perguntam: Tu és luterano? Tu és ortodoxo? Tu és evangélico? Tu és baptista? Tu és metodista? Tu és cristão? E eles degolam-no (…) Esta unidade é bem conhecida dos inimigos de Cristo. Os que odeiam Jesus Cristo não se enganam. Eles sabem que temos a mesma raiz que se chama Jesus Cristo. Eles não perguntam à sua vítima se ela é luterana ou ortodoxa antes de lhe cortarem a cabeça”.

As perseguições no Médio Oriente, sobretudo na Síria são testemunho deste ecumenismo de sangue que se manifesta nas tribulações. Marie Edith, religiosa em Israel explica-nos, a seguir à oração pela unidade que teve lugar na Igreja Luterana de Jerusalém, na terça-feira, 25 de Janeiro: Nos países em que há mártires, os cristãos são obrigados a unirem-se para lutar. Quando sofrem juntos é todo o corpo de Cristo que sangra”.

Cristo, o primeiro mártir.

O primeiro martírio foi o de Cristo que se ofereceu por todos para que estejamos unidos Nele. François, um suíço de 50 anos, membro do movimento “Montées de Jérusalem” lembra-o: “o ecumenismo começa com o sangue que Cristo derrama na Cruz: o sacrifício do cordeiro de Deus que nos permite comungar e colocar a salvação no centro das nossas vidas e das nossas salvações. Assim devemos estar de braços bem abertos prontos a acolher o nosso próximo. Devemos sair das práticas mundanas e sobretudo sair: ”de uma lógica de concorrência entre as diferentes igrejas; custa-nos, na realidade, deixar lugar aos outros. É preciso pedir a graça da humildade para nos aceitarmos e nos conhecermos”.  

O Cristão que segue Cristo, testemunha da unidade da Igreja

A partir daí, é preciso compreender que este martírio, ao qual todos os cristãos podem ser chamados, começa a manifestar-se através do dom de cada cristão para o corpo uno, “o facto de alguns decidirem dar a sua vida a Cristo, e já um testemunho. Aceitar estar em comunhão com aqueles que vivem em sofrimento, sentir compaixão e encontrar soluções justas é já ser mártir de uma certa forma. É por isso que é muito importante que os cristãos de todas as igrejas estejam presentes, aqui em Jerusalém, terra onde tantos sofrem” são estas as palavras do Irmão Jean-Jacques e do Irmão Hector, dois irmãos da comunidade de Taizé, presentes em Jerusalém para participarm na semana para a unidade.

“O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” dizia Tertuliano nos primeiros tempos da Igreja. O Papa lembrou recentemente que as pessoas mortas em nome da sua fé em Jesus Cristo nunca foram tão numerosas como o são hoje; no entanto Marcel, cristão da cidade velha pensa que “isto não nos deve fazer perder a esperança porque são eles são sementes que vão dar frutos, estão a realizar já, de uma certa forma, as palavras de Cristo na Paixão “que todos sejam um”.

Calixte des Lauriers
Fotografia de Thomas Charrière