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Posted on 18 Feb, 2016 in Homilias FT, Patriarca, Slide, Vida espiritual

Missa em Ecce Homo: homilia do Patriarca

Missa em Ecce Homo: homilia do Patriarca

 

JERUSALÉM – Sexta-feira 12 de Fevereiro, S. B. Mons. Fouad Twal celebrou uma missa comemorativa da coroação de espinhos na Basílica do Convento do Ecce Homo para as Irmãs de Sião e para a Comunidade do Caminho Novo.

Ecce Homo, sexta-feira 12 de Fevereiro de 2016
Missa de comemoração da coroação de espinhos

Caras comunidades das Irmãs de Sião e do Caminho Novo,
Caros Irmãos e Irmãs,

Estamos reunidos nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como o quer a tradição, para comemorar a coroação de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta basílica do convento do Ecce Homo em que nos encontramos faz parte dos lugares mais comoventes de Jerusalém porque nos fala, de uma forma muito particular da Paixão de Jesus. Sentimos de forma palpável o sofrimento de Cristo-Rei. Anho sem faltas e sem manchas, humilhado, maltratado, batido, ultrajado. O Nosso Deus e Senhor mergulha no abismo dos nossos sofrimentos para os transformar, torná-los fecundos por mais injustos, terríveis ou insustentáveis que sejam.

Deus fez-se homem, o inocente tornou-se culpado. Como não ver nesta descida, nesta loucura da Cruz um acto supremo de misericórdia? A misericórdia é a identidade e o próprio Nome do nosso Deus que nos deu a graça de a comtemplarmos, de a redescobrirmos e de a praticarmos ainda com mais fervor neste ano Jubilar.

“A Misericórdia é a pedra angular da Igreja” (!) e nós atingimo-la ainda de forma mais particular em Jerusalém: a Igreja do Calvário que nós somos deve colocar a Misericórdia no centro da sua vida, das suas acções, da sua missão. Tudo deve ser alicerçadas na Misericórdia, tudo deve convergir para ela. Pois a Misericórdia é a manifestação tangível do Amor de Cristo por nós, e do nosso amor pelo nosso próximo!

E penso sobretudo nas nossas instituições, nas casas religiosas e de acolhimento, nas escolas, em todas as estruturas que devem sempre ser baseadas na misericórdia, caso contrário não têm razão de existir. É urgente que através dos sofrimentos vividos nesta terra dilacerada, nós sejamos os artífices da Misericórdia e da paz. Só quando olhamos para o rosto ultrajado e a cabeça coroada do Mestre, podemos encarar o futuro com coragem e Esperança apesar dos nossos sofrimentos e tribulações. (2).

É a Misericórdia vivida nas boas obras corporais e espirituais que constitui a identidade de cristãos e dos consagrados que vivem na Terra Santa no meio de judeus, de muçulmanos e de peregrinos!

Somos chamados a viver este tempo de Quaresma que é um ponto alto e propício ao jejum, à oração, à solidariedade no âmbito mais alargado do Ano da Misericórdia. “ Misericórdia quero, e não sacrifícios”. (Mt 9, 13): trata-se de pedir a graça de sermos, no quotidiano os artífices da misericórdia para o nosso próximo.

Mas o que é o nosso próximo? Parece que na verdade não termos escolha, o nosso próximo é tanto o carrasco como a vítima, o ocupante como o ocupado, o doente, o que está só, o que procura trabalho para alimentar a sua família e que o não encontra, o que está em necessidade e que não tem com que comprar aquilo que necessita.

Misericórdia neste tempo da Quaresma significa realizar actos concretos: alimentar o próximo, compreendê-lo, ajudá-lo, educá-lo pela da nossa palavra e pela nossa oração. Misericórdia significa reconhecer Cristo no próximo desconhecido, no que está ao nosso lado e no que está longe pois através dele a carne de Cristo “torna-se de novo visível como o corpo torturado flagelado, faminto, perdido e incompreendido”. (3).

“Ecce Homo” eis o Homem. Este “Ecce Homo” designa cada um de nós, nós e o nosso próximo: o homem tal como é, em toda a verdade da sua miséria e em todo o esplendor da sua vocação”.

“Ecce Homo”: este homem é todos os irmãos e irmãs unidos no mesmo amor que se sentem pequenos e pobres e que a Cruz de Cristo torna grandes. (4)

Caros amigos, vivamos a Quaresma como um momento de conversão e de regresso a Deus, reconheçamo-nos como sendo este homem que sofre e que é objecto da Misericórdia infinita do Pai. Aceitemos por fim deixarmo-nos amar por Deus! “Porque não temos um sacerdote perfeito e incapaz de compaixão pelas nossas fraquezas, ele que de uma forma semelhante por tudo passou menos pelo pecado. “Cheguemos pois com confiança ao trono da graça para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”. (Heb. 4,16)

Não hesitemos em ir ao encontro de Cristo no Sacramento da Reconciliação e aproveitemos as três portas santas da nossa diocese para recebermos todas as graças deste ano jubilar. Estas portas são santas e passar por elas é um acto de fé que incarna o nosso radical desejo de conversão. Saímos de um e estado espiritual para entrarmos num outro. A porta simboliza a passagem, simboliza o Próprio Cristo que é “o caminho da verdade e da vida” (João 14,16): “se alguém entrar passando por ele será salvo”.

Neste tempo de Quaresma, Deus espera por nós, bate à porta do nosso coração e deseja entrar nele. Tal como o pai do filho pródigo, pronto a tudo fazer para salvar o seu filho e que transborda de alegria ao encontrá-lo. Deus espera-nos no silêncio, na oração pessoal, no serviço dos nossos irmãos, na visita aos doentes e aos necessitados, no segredo da confissão ou ainda na comunhão fraterna.

Deus é Misericórdia é Comunhão, Deus é Comunhão de Amor. E porque somos feitos à Sua imagem, a nossa vocação profunda é a de nos tornarmos seres de comunhão, de comunhão com Deus e com os nossos irmãos e só a Misericórdia de Deus nos pode tornar dignos de uma vocação tão maravilhosa.

Que a Virgem Maria nos preceda neste caminho de sofrimento e de glória. Que Ela nos acompanhe durante toda a quaresma e nos faça descobrir o verdadeiro rosto da misericórdia.

Ámen+

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