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Posted on 4 Mar, 2016 in Aprender, Leituras, Slide

A terra da Bíblia e a História” pelo Padre David Neuhaus e pelo Padre Alain Marchadour

A terra da Bíblia e a História” pelo Padre David Neuhaus e pelo Padre Alain Marchadour

 

TERRA SANTA – A apresentação do  livro do Padre David Neuhaus e do Padre Alain Marchadour sobre a história da Terra Santa através das Escrituras e de outros textos escolhidos para se compreender melhor esta Terra Bíblica e o conflito que a dilacera.Fonte: Cristãos no Mediterrâneo a

Título: A Terra, a Bíblia e a História

Subtítulo: Para o país que te ensinarei a ver…”

Autores: Alain Marchadour e David Neuhaus: prefácio do Cardeal Carlo Maria Martini, s.j.

Editor: Paris, Bayard, 2010

Coleção: História das Religiões – 363 págs. 23€

Em Janeiro de 2008, Régis Debray publicou um apaixonante relato da sua estada na Palestina-Israel com o título evocador de “Um cândido na Terra Santa”

Dois anos mais tarde, não são dois “cândidos” que estão de passagem, mas dois que há muito residem em Jerusalém. Biblistas e historiadores experientes, mas igualmente comprometidos nesta terra dilacerada por um conflito sem fim, Alain Marchadour [1] e David Neuhaus [2] propõem-nos um apaixonante percurso de três milénios nesta Terra através da Bíblia e da história, “tendo como fio condutor a razão da terra tanto na sua densidade textual, teológica e espiritual como na sua posteridade na história da Igreja e na sociedade de hoje. (pág. 37). Ou seja, a abordagem dos dois autores é a de “partir da Bíblia para procurar o significado da terra.” (pág. 321).

Um livro indispensável para todo aquele que queira compreender as realidades étnicas, políticas e religiosas desta terra muita vezes chamada de prometida e de santa. Os autores propõem-nos uma verdadeira antologia de textos bíblicos, patrísticos, eclesiásticos e políticos como marcos na história atribulada deste território que tem a sua capital em Jerusalém reivindicada como “lugar santo” pelos judeus cristãos e muçulmanos. Os autores não hesitam em abordar os mais sombrios períodos das conquistas, cruzadas, e diferentes ocupações até ao advento do Sionismo que levou à criação do Estado de Israel em 1948.

Não se esquivam à responsabilidade da Igreja cujo anti-judaísmo foi a causa de muitos males do povo judeu até ao drama da Shoah antes do tardio arrependimento com o Vaticano II. Eles levam a sua investigação até ao actual confronto entre Israel e a Palestina cujos territórios são ocupados ou confiscados…”Tragédia do povo palestino” (pág. 216 231)

Dar uma especial atenção às páginas sobre o tema da terra e da crítica bíblica (págs. 216-231) assim como do Impasse do fundamentalismo (págs. 323 – 329), de certa maneira como uma última advertência antes de os autores terminarem o seu livro. Com efeito, “sem deixar de ser a Palavra de Deus, a Bíblia é também um livro humano” (pág. 218). Daí a necessidade da crítica, da interpretação dos textos, até mesmo de uma reinterpretação (pág. 229). “É cada vez mais aceite pela crítica que a escrita da Bíblia e em particular do Pentateuco se fez relativamente tarde, durante ou logo após ao exílio na Babilónia (587-538) e que se trata de uma releitura da história da salvação […] A releitura do passado foi então objecto de uma reconstrução o que nos torna hoje difícil, senão impossível reconstituir os acontecimentos do passado. Isto é válido, em primeiro lugar, para as narrações dos patriarcas tão decisivas particularmente na elaboração das promessas da terra”. (pág. 220). “Mesmo podendo compreender a reivindicação política dos judeus a terem uma terra, já não se pode justificá-la teologicamente”.

Temos de agradecer a estes dois autores, actores de paz, que nos dão uma investigação, profusamente documentada, de uma história que se prolonga numa dolorosa actualidade.

Michel Saillard

1] Alain Marchour, religioso assuncionista, dirigiu o Santuário de S. Pedro em Galicanto de 1999 a 2011 depois de ter sido director da Faculdade de Teologia de Toulouse. Publicou numerosas obras de estudos bíblicos.

[2] Davis Neuhaus, jesuíta, filho de judeus alemães imigrados na África do Sul em 1936. Entrou em Israel com 15 anos e tornou-se cidadão israelita; fez os seus estudos de Ciências Políticas na Universidade Hebraica de Jerusalém, aos 26 anos pede para ser baptizado na Igreja Católica; de seguida entra nos jesuítas. No fim dos seus estudos teológicos e bíblicos nos Estados Unidos, em Roma e no Centro Sèvres de Paris, volta para Israel: milita pela paz e põe-se ao serviço dos imigrados. Torna-se Vigário Geral para a comunidade de cristãos de expressão hebraica no Patriarcado Latino.