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Posted on 27 Jun, 2016 in Diocese, Noticias da diocese, Slide

Padre Pizzaballa, novo Administrador: “queremos olhar para o futuro da nossa Igreja com confiança e esperança”

Padre Pizzaballa, novo Administrador: “queremos olhar para o futuro da nossa Igreja com confiança e esperança”

Entrevista – Nomeado pelo Papa Francisco Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém até à nomeação de um novo Patriarca, o Padre P. Pizzaballa, que foi Custódio da Terra Santa durante doze anos, fala sobre a sua nomeação surpresa e evoca os próximos desafios que o esperam.

Com que estado de espírito recebeu a notícia da sua nomeação para este cargo importante e delicado que lhe é confiado? Com encara a sua missão?

Soube desta nomeação com surpresa e espanto. Pensava que, pelo menos por um tempo, ficaria longe da Terra Santa. E finalmente, para minha grande surpresa aqui estou de novo chamado a servir uma entidade, a do Patriarcado Latino, rica e dinâmica, que vou procurar descobrir numa nova perspectiva.

Como já pude também exprimir aos meus superiores na Santa Sé, e estando consciente dos meus limites, tenho um sentimento de apreensão e de inquietação. Eles estão também conscientes de que muitas pessoas levantarão inúmeras questões.

Vou tentar guardar tudo no meu coração, tentando compreender como cultivar a vida da Igreja nestas circunstâncias particulares.

Ao mesmo tempo, estou também consciente que devo ultrapassar os meus receios e complexos. Como diz S. Paulo (2 Cor. 12, 9-10). “Antes me glorificarei das minhas fraquezas a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo …. pois quando estou enfraquecido é que sou forte”.

Quais são as primeiras palavras que gostaria de dirigir aos fiéis da comunidade cristã latina da Terra Santa?

Esperança, confiança, coragem. Queremos olhar para o futuro da nossa Igreja com confiança e esperança certos de que o Senhor nos sustém e nos acompanha. Devemos e queremos ser uma igreja que abre o diálogo com todos e tudo o que, nesta terra dilacerada por toda a espécie de divisões, possa ser um sinal de unidade.

Os nossos pequenos receios não podem ser o padrão de medida que permita avaliar o tempo de vida da Igreja. Nós queremos, ao contrário, olhar para esta parte da Igreja com os olhos do Espírito capazes de ver a vida e de a construir mesmo nas situações mais difíceis.

Deus precisa de instrumentos pobres como nós pois é através deles que Ele manifesta a grandeza do Seu amor.

A Igreja, a nossa Igreja, deve respirar fundo para perceber como ir à frente, ver sempre um “mais” em tudo e dar testemunho da sua pertença a Jesus.

Na sua opinião, quais poderão ser os desafios mais importantes do seu mandato?

É demasiado cedo para definir, com precisão, quais os desafios que me esperam. Estou consciente de que, na minha condição de administrador, o tempo é limitado e que assim sendo preciso de avaliar de forma realista o serviço que posso prestar. É para mim muito claro que nada posso fazer sozinho, e que a cooperação de toda a Igreja, bispos, padres e leigos é uma prioridade. Penso que a minha missão é a mostrar o caminho como o fez João Baptista. Vou tentar criar rapidamente laços com o clero local, que é a alma da diocese, com o seminário e com os inúmeros religiosos. Dar atenção à vasta Diocese, às suas complexidades. Para compreender as diferentes situações, com humildade e respeito e tentar encontrar, em conjunto, caminhos e soluções.

Com que olhos vê a situação da Terra Santa, marcada por conflitos tão profundos como complexos e qual é, na sua opinião, a vocação da Igreja Mãe de Jerusalém nesta terra dilacerada?

Como já o disse, numa terra ferida por divisões e conflitos, é prioritário ser desde logo e antes de mais um sinal de unidade entre nós e as outras comunidades cristãs para depois instaurar um diálogo franco e amigável com as comunidades religiosas muçulmana e judaica.

É importante tentar compreender as situações complexas sem se apressar a julgá-las, ter um coração desejoso de encontrar todos, de trabalhar serenamente com todos, sem distinção nem medo, pela justiça e a paz.

Conscientes do facto que a solução dos problemas que afligem o país está ainda longe, queremos estar no coração desta situação com o nosso espírito cristão que nos é próprio: sereno, sem medo e determinado a acolher todos.

Entrevista conduzida por Myriam Ambroselli

Entrevista original em italiano