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Posted on 3 Aug, 2016 in Administrador, Discursos e entrevistas PbP, Notícias locais, Política e sociedade, Slide

Mons. Pizzaballa: “perseverar na criação de uma mentalidade de paz”

Mons. Pizzaballa: “perseverar na criação de uma mentalidade de paz”

 

ENTREVISTA – O Administrador Apostólico do Patriarcado Latino, Mons. Pierbattista Pizzaballa participou na 5ª conferência anual de Direito Canónico, organizada de 19 a 24 de Julho de 2016 na Jordânia. Deu, nesta ocasião, uma entrevista ao Centro Católico de Estudos e dos Media, durante a qual voltou a referir-se às suas novas responsabilidades e à situação na região.

 

O que significa ser Administrador do Patriarcado Latino? Quais são as responsabilidades deste lugar?

Administrador Apostólico é uma terminologia pouco habitual na Igreja Latina, e designa diferentes coisas. Neste caso preciso, o administrador tem o papel de preparar a Igreja do Patriarcado Latino de Jerusalém para o futuro próximo e preparar as condições a adoptar para o próximo Patriarca. O papel de administrador apostólico é o de um bispo no seio da Igreja.

Foi Custódio da Terra Santa durante vários anos. Hoje, bispo e administrador em nome do Papa que sentido lhe dá o ser Bispo na Terra Santa, nos dias de hoje?

Continuo a fazer parte da Igreja de Jerusalém com um papel diferente como é evidente. Como Custódio da Terra Santa, tinha a responsabilidade de uma parte da Igreja. Hoje tenho a responsabilidade de toda a Igreja, como é evidente trabalho com muitos outros, não estou sozinho, com os outros bispos, num contexto mais alargado. Agora tenho de guardar no meu coração e no meu espírito todas as realidades, as ricas realidades da Igreja da Jordânia e de toda a Terra Santa.

 

Está neste momento na Jordânia, neste país beneficiando de uma coexistência no seio da sociedade. O que significa a Jordânia para si?

A Jordânia é como todos lugares em que como há vida, há problemas. Mas como o diz, a vida da Igreja é rica. A Igreja tem numerosas actividades, numerosos movimentos e numerosos grupos. Devemos melhorar essas actividades, coordená-las e darmos um tempo, como já o fizemos, para continuarmos a progressão para a prosperidade da bela sociedade cristã, o que é novo no Médio Oriente. Quando se percorre a Jordânia dá-se conta de todos os problemas que afligem o país. Na Jordânia a situação é ainda estável, calma e serena. E no tocante às perspetivas do futuro, devemos encorajar essa tendência.

 

O que nos pode dizer acerca das relações entre cristãos e muçulmanos?

Não vim para fazer uma revolução. Estou aqui para organizar um pouco melhor a vida da Igreja, que já está organizada. Na minha opinião, a primeira coisa a fazer é estabelecer o diálogo, escutar, e estar em contacto com o clero e os padres para organizar, em conjunto, a próxima etapa.

 

Tem um papel a desempenhar no que diz respeito ao turismo religioso na Terra Santa?

O papel da Igreja e do bispo em particular tem um importante papel no turismo religioso. Os países ocidentais têm medo de vir porque pensam que tudo está imbrincado, quando na realidade a situação é totalmente diferente. Nós, bispos, temos sólidas relações com as outras Igrejas espalhadas pelo mundo e devemos explicar bem, quando estamos no estrangeiro, que não há perigo. E, antes de tudo o resto, é igualmente importante para eles caminharem nos passos de Cristo. É também importante encorajar o processo de paz no Médio Oriente, na Jordânia e na Terra Santa, por o turismo religioso ser um factor de oportunidades para muitos gerando trabalho e quando há trabalho há uma prosperidade económica que ajuda a sociedade no seu conjunto.

 

Quais são as suas esperanças para a região, em primeiro lugar para a paz entre Israel e a Palestina e depois para a toda a região incluindo o Iraque e a Síria?

Sei que a paz entre Israel e a Palestina, no Iraque e na Síria parecem estar tão longe e tão difíceis que não passam de palavras. Mas nós, religiosos e homens de Deus, devemos continuar: perseverar antes de mais na oração pela paz e criar também uma mentalidade de paz. Devemo-nos empenhar em encorajar os dirigentes políticos da Terra Santa para que proporcionem um futuro de paz a todas as gerações.

 

Que papel deve ter a Jordânia para a paz?

A Jordânia tem um papel chave. Todos os países têm inimigos no momento em que a Jordânia está em diálogo com todos os países do Médio Oriente. Assim, a Casa Real da Jordânia é muito importante porque ajuda todos os países a dialogarem entre se e a sentarem-se juntos a uma mesa. É aqui o único lugar onde cada um pode encontrar a liberdade e a paz. É um contexto único que devemos aproveitar.

 

Fonte: abouna.org