Pages Menu
Categories Menu

Posted on 23 Sep, 2016 in Administrador, Diocese, Homilias PbP, Noticias da diocese, Slide

Discurso de Mons. Pizzaballa por ocasião da sua entrada solene no Patriarcado Latino no dia 21 de Setembro de 2016

Discurso de Mons. Pizzaballa por ocasião da sua entrada solene no Patriarcado Latino no dia 21 de Setembro de 2016

 

Caros irmãos e irmãs,

Agradeço-vos por terem vindo até aqui de diferentes regiões da Terra Santa,

Queria saudar em especial:

O Cardeal O’Brian,

Os Chefes das Igrejas católicas, Os chefes das Igrejas cristãs,

A Delegação Palestiniana,

Os seminários de Beit Jala e da Domus,

O Coro Magnificat,

Todos os Padres e todas as paróquias,

E vós, queridos amigos.

Já partilhei convosco, por diversas vezes, a minha surpresa e a minha gratidão pelo que me sucedeu no seio da Igreja de Jerusalém, por decisão do Santo Padre.

“Sufficit tibi gratia mea” (2 Cor 12, 19). É à luz desta passagem bíblica que eu escolhi viver este novo serviço que me foi confiado. Tudo é graça, disse um escritor célebre. A graça é antes de mais a tomada de consciência quotidiana da minha fraqueza e dos meus limites e é também uma verdadeira porta aberta pela qual pode passar a misericórdia de Deus.

Assim, apesar das minhas fraquezas, estou estupefacto por ver como o Senhor passa também através de mim, atravessa-me, para realizar a sua obra.

Comecei este serviço, que me foi confiado no dia em que a Igreja comemorava o nascimento de João Baptista e, inspirado pela sua figura, pensei o início do meu ministério como um preparar “Preparar o percurso…. Abrir os caminhos, os átrios, libertá-los de tudo o que nos impede de O encontrar e de encontrarmos o outro”. E acrescentei: “Gostaria que brotasse de Jerusalém …..para todos nós e para toda a Igreja, a possibilidade de se reencontrar e de acolher uns e outros, construíndo caminhos e pontes e não muros”

Não posso senão reiterar esta vontade. Acolher, ouvir, discernir e, juntos, mostrarmos o caminho da Igreja para os tempos futuros.

Sei que não será fácil. Não sou ingénuo. Depois da alegria da transfiguração, há a descida da montanha, a vida de todos os dias, com o seu lote de alegrias, é certo, mas também comos seus problemas, os seus sofrimentos, as suas divisões. E em Jerusalém e em toda a Terra Santa, as divisões não faltam. São duras e ferem a nossa vida quotidiana Nunca deixamos de as deplorar: na vida política e social, com um conflito político que atinge a vida de todos nós, ofendendo a dignidade, não respeitando os direitos fundamentais; vemo-las também nas relações inter-religiosas, entre as Igrejas, mas também no seio das diferentes Igrejas. O demónio, que está na origem das divisões, parece ter elegido o seu domicílio em Jerusalém.

E é justamente neste contexto tão difícil, que não nos permite ter ilusões, que somos chamados a ser Igreja, ou seja, um testemunho de unidade. É aqui, nesta contexto dilacerado e dividido, que o primeiro anúncio a fazer é o da unidade que começa nas nossas vidas, no nosso meio.

Assim, agradeço ao Patriarca Grego-ortodoxo de Jerusalém pela sua participação, por um representante, na minha consagração episcopal, e asseguro-lhe o meu desejo de continuar a trabalhar pela fraternidade e harmonia mútuas. Na realidade, não nos podemos permitir dar lições de diálogo a todo o mundo se entre nós não reinarem senão divisões e desconfianças.

Jerusalém lembra-nos a Páscoa. No Santo Sepulcro, é sempre Páscoa. Páscoa significa passagem: passagem da morte à vida, das trevas à luz, da desconfiança em relação aos discípulos de Emaús ao ímpeto dos Apóstolos no Pentecostes. Nós devemos e queremos tornar-nos mestres nesta vida que vem da cruz, que se não resigna com a morte, mas que vence a morte pelo amor.

Desejo assim, como bispo, servir no espírito da Páscoa. Face aos inúmeros sinais da morte em nós e à nossa volta, gostaria de acompanhar a nossa igreja numa nova leitura da sua própria história, como o fez Jesus com os discípulos de Emaús, para descobrirmos esta Presença que nunca nos abandonou e que é a fonte da vida eterna. E perguntarmo-nos se cremos verdadeiramente nela. Se cremos verdadeiramente que Cristo é fonte da força e da vida.

Na realidade, não são as nossas estratégias humanas, tantas vezes estafadas, que poderão salvar a Igreja e as suas instituições. A nossa grandeza não se mede pelo número de projectos que poderemos realizar, nem mesmo pelos aplausos que tivermos. Tudo isto é passageiro. E talvez nos devêssemos interrogar se não gastámos demasiadas energias e atenção ao que, no fundo, é secundário. “Sufficit tibi gratia mea”. Antes de mais, aceitar a graça de Deus.

Devemos recomeçar a partir desta tomada de consciência da presença de Cristo entre nós. É esta tomada de consciência que deve estar na origem das nossas escolhas e dos nossos projectos. Tudo o resto vêm depois.

Peço a todos que me ajudem neste serviço.

Aos leigos e às famílias, aos religiosos e religiosas que servem nossa igreja de forma tão importante, aos padres e aos bispos e, em particular, aos jovens que são o nosso futuro, a todos peço que me apoiem e me acompanhem. Peço-vos, em primeiro lugar que me ajudem, pelas vossas orações, mas também a guiando-nos uns aos outros ao longo de todo o percurso escolhido pela nossa Igreja.

Desejo que as diferentes almas que formam a nossa Igreja una, mas diversa, colaborem sempre e cada vez melhor. A este respeito, escrevi, há alguns dias, aos padres do Patriarcado:

“A Igreja de Jerusalém é rica em iniciativas e mesmo em instituições de prestígio (penso nos institutos teológicos e bíblicos, nas universidades de Belém e Madaba), em religiosos e religiosas, em movimentos, em numerosas escolas que prestam um serviço importante e têm um papel pastoral decisivo; temos relações únicas e especiais com outras igrejas cristãs, sem falar da necessidade de uma coordenação com as igrejas orientais católicas; a relação inter-religiosa com os muçulmanos e os judeus é o nosso pão de cada dia, mesmo se nunca fácil; a chegada de trabalhadores estrangeiros e de refugiados trouxe uma dinâmica nova à nossa Igreja, tanto na Jordânia como na Terra Santa; a presença de centenas de milhares de peregrinos vindos do mundo inteiro põe-nos em contacto com a Igreja Universal que em Jerusalém como no dia de Pentecostes continua viva; não podemos ignorar que estamos no país onde a Palavra de Deus foi escrita e se cumpriu”.

Assim, para mim, ser Igreja significa que cada um de nós se sinta membro de um mesmo corpo, participando uns com os outros. Espero que este sentimento seja partilhado por vós.”

Quero ser o bispo de todos. Conto com a vossa total cooperação.

Agradeço-vos terem-me acompanhado com as vossas orações e a vossa participação. Vivi momentos muito belos e muito intensos que me reconfortaram e consolaram. Eis sido o reconforto de Deus nestes últimos meses.

Possa Ele sustentar-nos ao longo de todo este caminho, no fim do qual O encontraremos abrindo-nos os olhos para o sofrimento desta terra e dos seus habitantes, tornando-nos capazes de consolar e reconfortar.

Que a minha bênção e as minhas orações desçam sobre vós.

                                                                                                                     + Pierbbatistta

Original em italiano.