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Posted on 5 Nov, 2016 in Administrador, Homilias PbP, Slide, Vida espiritual

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo, 6 de Novembro de 2016

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo, 6 de Novembro de 2016

6 de Novembro de 2016

XXXII domingo do tempo ordinário do ano C

 

O episódio narrado no Evangelho de hoje tem lugar no Templo de Jerusalém.

Jesus terminou a sua longa viajem começada no capítulo 9. Ele subiu a Jerusalém e chorou por Jerusalém (Lucas, 19, 29 ss),depois entrou no Templo de onde expulsou os vendilhões: uma forma para Ele de tomar posse do lugar que lhe pertence, a casa de seu Pai.

Nos dois dias seguintes, que foram os que imediatamente precederam a sua Paixão – Jesus volta várias vezes ao Templo, a sua Casa, onde exerce a sua autoridade e ensina. O Evangelho de Lucas, como os outros evangelhos sinópticos, narra uma série de diatribes entre Jesus e os chefes do povo que tentam pô-lo em situações difíceis para o fazerem cair em erro e assim desacreditarem a autoridade, que o povo, sem qualquer dúvida lhe atribui. “estando todos pendentes das suas palavras”.(Lucas 19, 49).

A passagem de hoje é uma dessas diatribes: primeiro são os saduceus, um grupo ligado à aristocracia sacerdotal, que fazem a Jesus uma pergunta sobre a ressurreição. Lucas faz notar que os Saduceus não acreditavam na ressurreição, o que revela a malícia da sua pergunta: eles não tinham nenhum interesse em debater livremente o mistério de Deus, só procuravam ridicularizar a autoridade de Jesus e os seus ensinamentos.

Para o fazerem, contam ironicamente um caso fictício pensando poderem assim provar que a ressurreição não era possível: a ressurreição, segundo o seu raciocínio não faria mais do que prolongar a vida não fazendo assim mais do que prolongar indefinidamente o drama da existência sem nunca o resolver. Na realidade, o tema da ressurreição tal como é apresentado pelos Saduceus, é banalizado ao extremo.

Ao contrário, a ressurreição é o ponto fulcral da vida e da fé, aquilo com que, mais cedo ou mais tarde, todo o homem é confrontado. O que é totalmente diferente.

E é também um tema fundamental para Jesus, não é por acaso que Jesus só debate este assunto nos três dias que antecedem a sua paixão, dias durante os quais o mistério da ressurreição vai ser vivido e revelado de forma completa e definitiva. Jesus é Ele próprio a Ressurreição, é Ele a chave mestra deste problema insolúvel.

Jesus não se revela inteiramente aqui como o faz, por exemplo no Evangelho de João, quando fala com Marta, que chora a morte de seu irmão Lázaro: “Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em mim mesmo morto viverá e todo aquele que crê em mim não morrerá” (João 1,25-26).

É possível que o não faça aqui por uma incapacidade dos seus interlocutores acolherem um revelação e um dom desta importância.

Mas talvez haja uma outra razão, talvez Jesus saiba que não é possível falar verdadeiramente da ressurreição sem passar pela morte, sem atravessar toda a dor, o limite, a angústia que os dias seguintes lhe vão reservar.

E é só depois de por eles ter passado, que Jesus poderá dizer, em verdade, o que é a ressurreição e a vida.

E só os que O viram entrar no mistério da morte e depois  o viram sair dele vivo poderão conhecer igualmente o mistério da sua Ressurreição.

Os saduceus pelo contrário estão a banalizar o que para Jesus  – e para o Pai – é o mais importante e que não é tanto uma questão de direito, de descendência, dos maridos e dos filhos, mas que diz respeito à salvação do homem, razão pela qual Jesus veio ao Mundo pela qual Ele enfrentou estes dias de dor e de morte. Jesus entra nos dias da sua Paixão com a perfeita consciência daquilo que é o centro da Ressurreição: a fidelidade ao Pai.

E á justamente disto que Jesus fala aos saduceus para responder à pergunta que lhe fizeram: se o Deus em que acreditam é o Deus da Aliança (com Abraão, Isac, Jacob, v 20,37), se é um Deus de amor, se é o Pai, então Deus não poderia aceitar que nenhum dos que Ele ama se perca, nunca o deixaria à mercê das trevas, da morte, do vazio.

Se a Aliança, concluída com Abraão é renovada em Si, é vontade de Deus que participemos na sua vida e nada poderá impedir de se viver em plenitude: nem mesmo a morte.

E Jesus acredita em tudo isto. E é o próprio Jesus que, em breve, o vai experimentar. Ele será o primeiro dos homens a nascer nesta história nova, na qual cada criatura caminha para a renovação de toda a criação, para a plenitude da vida.

E os saduceus com a inconsistência da sua pergunta demonstram que a vida, para que seja verdadeira e digna, para que não seja banal, precisa da Ressurreição. De outra forma  fica reduzida a um mistério insolúvel e estéril, fechado sobre si mesmo.

E provam também que acreditam num Deus estéril, incapaz de dar a vida, ao contrário do Pai que, da própria morte, fez brotar a vida.

+Pierbattista

Original em italiano. Traduzido da versão francesa.