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Posted on 23 Dec, 2016 in Administrador, Homilias PbP, Slide, Vida espiritual

Meditação de Mons. Pizzaballa para o Domingo de Natal

Meditação de Mons. Pizzaballa para o Domingo de Natal

 

25 de Dezembro de 2016

Natal

 

Começámos o tempo do Advento ouvindo a palavra de Deus que nos convidava a estarmos atentos.

Percorremos este tempo de espera na companhia de todos aqueles que esperaram e desejaram ver o dia da salvação. Detivemo-nos na contemplação desta mudança decisiva da história, quando esta promessa foi confiada à fé de uma mulher da Galileia e à do seu marido, um homem justo, à escuta da vontade de Deus, que foi sempre de uma vontade de vida e de paz.

Esta noite, uma vez mais, encontramo-nos juntos em vigília: “Nesta mesma região, havia pastores que estavam ao relento e passavam a noite nos campos a guardar os seus rebanhos.”(Lucas 2,10): foram eles os primeiros a conhecer esta grande notícia.

Tudo nos poderia fazer pensar que chegámos ao nosso destino, que estamos no fim do caminho. Mas não é assim: com a proclamação desta grande alegria é-nos feito também um convite: pôr-se a caminho, à procura do lugar da terra onde esta alegria chegou. Assim, hoje, a espera  transforma-se em caminhada. É preciso partir à procura do Natal.

Esta criança nasceu, este reino chegou, mas não de forma evidente ou grandiosa: não chama a atenção, está ao alcance da mão, não é nada de comercial, é ao mesmo tempo revelado e escondido…

Para o encontrar é preciso procurá-lo. Sairmos de nós mesmos, pormo-nos a caminho. Na realidade fomos criados para isso. Procurar o amor, a alegria, a vida. “Achareis um menino envolto em faixas”. Lucas 2, 12).

Mas onde procurá-lo? O que é belo encontra-se sempre e somente na pobreza. Lá, onde a vida se torna essencial, lá, onde nada mais é necessário. Lá, onde não há nada que nos possa distrair. Um estábulo, uma manjedoura e pouco mais.

E aí está o que há de mais belo: não é preciso ir longe para o encontrar. O que aí vamos encontrar tem algo de familiar: familiar como o pode ser um estábulo para os pastores. O sinal nada não nos vai deslumbrar, não vai causar a nossa perdição: far-nos-á chegar ao nosso destino, a nossa casa.

Na realidade nunca teríamos ido ali à sua procura. Tê-lo-íamos procurado num palácio, num templo, nunca num estábulo. Por isso é Ele mesmo que nos guia, que nos dá um sinal. “Eis o sinal que vos será dado”: Um menino envolto em faixas, uma manjedoura. Um sinal de pobreza para que ninguém se sinta excluído, onde todos possam ir. E que vamos encontrar? “Paz na terra aos homens por Deus amados”. (Lucas 2, 12). Se nos pusermos já a caminho encontramos o Natal, se dermos atenção aos sinais encontraremos a paz.

Encontramos o melhor presente possível: a salvação poderia ter sido muito menor se fosse simplesmente a minha salvação, somente a minha. A paz é a salvação, quando entre paz e salvação se estabelece uma relação, quando estão presentes na nossa vida, no nosso quotidiano.

Quando a salvação se transforma num verdadeiro encontro, despojado de qualquer violência, de qualquer opressão, de qualquer a soberba. Um tal encontro só pode ter lugar na simplicidade de um estábulo. E assim “vamos a Belém para ver o que o aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer” (Lucas 2, 12).

O Senhor revelou-nos um acontecimento, mas mais ainda, o Próprio Senhor deu-se a conhecer. Foi assim que Deus enviou o seu Filho, Deus-connosco, fez o homem para poder de novo conhecer o homem que se afastou Dele e, a partir daí, reunir a história, renovar este conhecimento mútuo.

Que assim seja o nosso Natal: partir à procura do Senhor, para nos deixarmos ser, finalmente, encontrados por Ele.

É o princípio de uma nova forma de se conhecer, com Deus e, por consequência entre nós.

 

                                                                                   + Pierbattista

 

Em italiano no original.