Pages Menu
Categories Menu

Posted on 21 Jan, 2017 in Administrador, Homilias PbP, Slide, Vida espiritual

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo, 22 de Janeiro

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo, 22 de Janeiro

Terceiro domingo do tempo comum, Ano A

Mt 4, 12-25

 

O Evangelho de hoje narra o início do ministério público de Jesus, os primeiros momentos em que o Reino de Deus irrompe entre os homens, graças à vinda do Deus para o meio deles.

No Evangelho de Mateus, a passagem que ouvimos vem imediatamente a seguir ao episódio da tentação de Jesus no deserto, ou seja, depois do momento que Jesus escolheu para a sua missão a via da humilde da obediência, a de servidor que dá a vida pelos irmãos.

Fortalecido por esta escolha, Jesus começa a obra para a qual foi enviado.

Ele inícia o seu ministério no “momento em que soube da prisão de João Baptista (literalmente: quando este foi entregue) ”. (Mt. 4, 12). Mateus parece dizer que a nova detenção de João Baptista é um momento decisivo: a missão deste era preparar o caminho do Messias, suscitar a espera do Messias. Neste momento, o precursor cumpriu a sua missão e deixa a cena. É tempo de Aquele, de quem João Baptista deu testemunho, tome o seu lugar.

Não é somente João Baptista que deixa a cena, mas também todos os profetas, pagando com a sua vida a força das suas palavras. Jesus toma então nas suas mãos a missão que cumprirá da mesma forma: Também Ele será entregue (Mat. 26, 15-16 e ss.) condenado à morte, dando também Ele a sua vida.

Para começar, Jesus escolhe o lugar onde vai iniciar a sua missão: a Galileia.

É curioso ver que o Evangelista escolha um termo específico para dizer que Jesus começou na Galileia. Podia ter dito simplesmente Ele foi para a Galileia (como o fazem Marcos e Lucas), mas precisou que Ele se tinha retirado. (Mat. 4,12).

Em Mateus 2, 22-23, encontramos uma expressão quase idêntica quando fala do regresso de José do Egipto: “Mas ouvindo que Arquelau reinava na Judeia teve medo…. retirou-se para a Galileia e morou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas…”

Retirar-se é um termo de Mateus e indica que a mudança de direcção é necessária para encontrar um espaço onde a salvação possa chegar: aí, onde a estrada parece acabar, o Senhor abre uma nova, pela qual se pode retirar...Temos aqui uma primeira indicação da forma como o Reino entra na História.

Este Reino vai criando laços com os acontecimentos humanos e, de uma maneira ou de outra, vão-se sendo modelado por estes… No entanto, acontecimentos indesejáveis parece estarem a mudar-lhes o percurso, mas eles mais não fazem senão cumprir um desígnio antigo que é sempre um desígnio de salvação. E é justamente quando alguém se retira que se cumpre uma palavra de profeta.

Assim, Jesus escolhe a Galileia. Escolhe uma região junto à fronteira e vai viver numa aldeia situada numa estrada de comércio, de viajem, de encontros. Uma espécie de encruzilhada, um lugar onde os caminhos se cruzam, ou seja, num local por onde, mais cedo ou mais tarde, todos terão de passar. Ele não reserva a sua mensagem apenas para alguns privilegiados, mas anuncia-a a todos os que passam. Ele é para todos. Decide ir para estes lugares longe do poder, mas próximos da vida das pessoas, da vida real do homem….São lugares de onde nada se espera, onde as pessoas estão afastadas e perdidas. E são lugares onde, religiosamente falando, se está a cada passo exposto à impureza, onde é quase impossível agradar a Deus segundo algumas prescrições. É aí que começa Jesus.

Que faz Jesus em Cafarnaum?

Mateus dedica um curto versículo à pregação de Jesus, e passa imediatamente à sua primeira obra realmente importante. Não é nem um exorcismo nem uma cura. O que Jesus faz, em primeiro lugar, é chamar os discípulos. Como para mostrar que Jesus vai ao encontro das pessoas, mas pessoas com as quais ele quer uma relação pessoal e única.

Ele cuida de todos, mas não de uma forma impessoal: Ele encontra-se com cada um a sós. E cada encontro é um convite a que O sigam. Porque segui-lo é o Reino, é a Salvação.

Jesus pede aos que O seguem que se tornem “pescadores de homens” (Mt. 4, 19), ou seja a que dêem a sua vida pelos outros. É esta a cura: aprender a zelar pelos seus irmãos e irmãs e ter o desejo salvar o outro.

O que se pode ser feito de várias formas, por todos os meios que a caridade sugere, mas com o único fim de serem instrumentos de comunhão para que os homens possam viver reconciliados uns com os outros.

O Evangelho de hoje leva-nos a estas encruzilhadas da vida onde encontramos os outros e onde aprendemos também a zelar por eles. Ensina-nos a ficarmos, a retirarmo-nos para aí, onde não há lugar para o espírito do mal que divide os irmãos.

É esta a conversão a que Jesus nos chama! (Mt. 4,17).

E esta é a grande luz que surge das trevas (Mt. 4,17), as trevas de uma humanidade que é tantas vezes incapaz deste amor.

Esta passagem do Evangelho é também composta por duas cenas: a primeira onde Jesus se põe a caminho à procura dos homens; na segunda, o campo restringe-se aos discípulos para se abrir de novo aos homens de quem os discípulos se tornam pescadores.

É esta a dinâmica do Reino, uma dinâmica que vai de si para os outros e que alcançando-os convida-os as fazerem o mesmo, num círculo que se alarga e que leva a vida cada e cada vez mais longe.

                                                                               + Pizzaballa

Original em italiano, traduzido a partir da versão francesa.