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Posted on 23 Jan, 2017 in Notícias locais, Política e sociedade, Slide

Mons. Duarte da Cunha: O reconhecimento do Estado da Palestina não visa Israel, mas um avanço para a reconciliação.

Mons. Duarte da Cunha: O reconhecimento do Estado da Palestina não visa Israel, mas um avanço para a reconciliação.

 

TERRA SANTA – Terça-feira, 19 de Janeiro de 2017, A Coordenação Terra Santa terminou a sua visita anual às diferentes comunidades cristãs do Pais. Uma visita que os bispos quiseram concluir com um comunicado intitulado “50 anos de ocupação exigem uma acção”,

Domingo 15 de Janeiro de 2017, A Coordenação Terra Santa, composta por bispos oriundos de toda a Europa, América do Norte e África do Sul, celebrou missa na Igreja da Anunciação em Beit Jala presidida por S. Ex. Mons. Declan Lang, Bispo de Clifton. Referindo-se aos problemas com que se deparam os cristãos palestinianos na sua vida de todos os dias, o Bispo, realçou que “a vida não é fácil para os cristãos que vivem na Palestina, mas penso que é mais difícil em Gaza do que na Cisjordânia, pois aí há graves restrições às deslocações”.

E acrescentou: “ a comunidade cristã tem um papel essencial na tentativa de reconciliar as diferentes nacionalidades, culturas e religiões nesta parte do mundo. É um grande desafio a enfrentar e muitas vezes não se lhe pode fazer face por esta não recursos necessários… assim de certa maneira compreendem porque são as pessoas obrigadas a deixar o pais”. Durante a visita da Delegação à Universidade e Belém, o Bispo elogiou a qualidade do ensino nela ministrado assim como o excepcional êxito dos seus alunos. “Importantes figuras passaram pela Universidade de Belém como é o caso do Presidente da Câmara de Belém, que também aqui leccionou”, disse o Bispo. “A Igreja encoraja a educação que permite que as pessoas vivam dignamente na medida do possível” acrescentou.

Durante estes dias de visita, a Coordenação Terra Santa abordou o tema “50 anos de ocupação” com visitas a Hebron, a Jerusalém Este e a outras zonas palestinianas. Mons. Declan sublinhou, fazendo referências às suas precedentes visitas, a que ponto “Hebron é um lugar de grande tensão. Acabei de vir de lá onde senti mais tensão do que em Gaza”.

Numa entrevista no gabinete dos media do Patriarcado Latino, Mons. Duarte da Cunha, Secretário do Conselho da Conferência Episcopal da Europa, falou sobre o papel que a Coordenação e a Igreja têm na progressão do processo de paz entre Palestinos e Israelitas. “A Igreja tem de perseverar na oração. Acreditamos firmemente que a paz é um dom dado por Deus. Esforçamo-nos por sensibilizar ao mesmo tempo as comunidades internacionais e a Igreja. Procuramos também dar voz aos que precisam de ajuda, a todos os que têm propostas que permitam a paz, a reconciliação, a coexistência”.

“Reconhecemos que a vida dos Palestinos, os seus sofrimentos, as tensões dentro da região e a ausência de paz são para nós um apelo. A Igreja esforça-se por agitar as consciências dos dirigentes políticos de todo o mundo para a situação da Terra Santa para que sejam verdadeiros nos seus esforços de paz”. Depois da inauguração da Embaixada da Palestina no Vaticano, no passado dia 14, Mons. Duarte da Cunha declarou que o reconhecimento do Estado da Palestina e a abertura da sua Embaixada não visa Israel, mas são um avanço pelo qual a Igreja espera mostrar que a reconciliação é possível.

Na quarta-feira, dia 18 de Janeiro, uma missa para a Coordenação foi concelebrada por Mons. Pierbattista Pizzaballa na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Junto, a declaração final da Coordenação Terra Santa 2017.

Saher Kawas

 

Cinquenta Anos de ocupação exigem uma acção por parte da Comissão Terra Santa 2017

14-17 de Janeiro e 2017

Desde há cinquenta anos que a Cisjordânia, Jerusalém-Este e Gaza são vítimas de uma ocupação que viola a dignidade humana não só dos palestinos como também dos israelitas. É um escândalo ao qual nunca nos poderemos habituar.

Cada ano, desde 1998, a nossa Coordenação apela à Justiça e à Paz! E o sofrimento continua. O nosso apelo tem de ser ainda mais veemente. Nós, Bispos, imploramos aos cristãos dos nossos países que reconheçam a nossa responsabilidade de nos informarmos, de rezarmos, de agirmos.

São muito numeroso os que aqui, na Terra Santa, passaram toda a sua vida sob uma ocupação que acentua a segregação social, mas continuam a ter esperança e a lutar pela reconciliação. Hoje, mais do que nunca, merecem a nossa solidariedade.

Todos temos responsabilidade de nos opormos à construção dos colonatos. Esta anexação, de facto, de terrenos compromete não só os direitos os Palestinos em territórios como Hebron e Jerusalém-Este mas, como recentemente foi reconhecido pela ONU, põe igualmente em perigo as possibilidades de paz.

Temos a responsabilidade de ajudar o povo de Gaza, que vive mergulhado numa verdadeira catástrofe humanitária provocada pelo próprio homem. Os seus cidadãos passaram um decénio sob um “bloqueio” agravado por um impasse político alimentado pela má vontade de ambas as partes.

Todos temos a responsabilidade de ajudar a resistência não violenta que, como lembra o Papa Francisco, conseguiu grandes mudanças no mundo. Esta é particularmente necessária face às injustiças tais como a persistente construção do muro de separação em terra palestinianas, nomeadamente no Vale de Crémissan.

Todos temos a responsabilidade de promover uma solução que contemple dois Estados. A Santa Sé sublinhou que “se Israel e a Palestina se não entenderem para existirem lado a lado, reconciliados e soberanos dentro das fronteiras mutuamente aceites e internacionalmente reconhecias, a paz continuará a ser um longínquo sonho e a segurança uma ilusão”.

Temos a responsabilidade de ajudar a Igreja local, os seus serviços, os seus voluntários e as suas ONG. Nas mais difíceis circunstâncias, estes deram provas de uma enorme “resiliência” e levam a cabo acções capazes de mudar a vida das pessoas. A nossa fé em Deus dá-nos esperança. O testemunho dos cristãos na Terra Santa e sobretudo o dos jovens com quem privamos inspira-nos.

A Bíblia diz-nos: “Santificareis o ano quinquagésimo, apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores” (Levítico 25, 10). Durante este quinquagésimo ano de ocupação, rezemos pela liberdade de todos na Terra Santa e especialmente por todos e todas que trabalham na construção de uma paz justa.

 

S.Exª. Mons. Declan Lang, Inglaterra e País de Gales – (Presidente da Coordenação para a Terra Santa)
S.Exª. Mons. Riccardo Fontana, Itália
S.Exª. Mons. Stephen Ackermann, Alemanha
S.Exª. Mons. Pierre Bürcher, Conferência Episcopal dos Países do Norte
S.Exª Mgr. Oscar Cantú, USA
S.Exª. Mons. Christopher Chessun, Igreja de Inglaterra
S.Exª. Mon. Michel Dubost, França
S.Exª. Mons. Lionel Gendron, Canadá
S.Exª. Mons. Dr. Felix Gmür, Suíça
S.Exª. Mons. Nicholas Hudson, Comissão dos Episcopados de la Comunidade Europeia
S.Exª. Mgr. William Kenny, Inglaterra País Gales
S.Exª. Mgr. William Nolan, Escócia

Com o apoio de Mons. Duarte da Cunha, Secretário-geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, Fr. Peter-John Pearson, Conferência Episcopal da África do Sul.

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