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Posted on 27 Jan, 2017 in Administrador, Homilias PbP, Slide, Vida espiritual

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo 29 de Janeiro de 2017.

Meditação de Mons. Pizzaballa sobre o Evangelho de domingo 29 de Janeiro de 2017.

29 de Janeiro de 2017

Quarto domingo do tempo comum, Ano A

Estamos nos princípios do ministério público de Jesus, vimos que o Senhor deixou Nazaré para ir viver para Cafarnaum, e que a partir desta cidade começa a proclamar que o Reino de Deus está próximo,  ele está no meio de nós.

No passado domingo, vimos onde e como o Reino de Deus acaba de interromper o curso da vida dos homens.

Hoje, veremos por quem é este reino estabelecido, a quem se destina, e quais são as vidas que serão, em primeiro lugar, tocadas.

Jesus não explica o que é o Reino de Deus por palavras: não faz nenhuma descrição, não esclarece as leis, não o enquadra num sistema teológico preciso; dá simplesmente algumas coordenadas, ideias, e não fala nos efeitos. Ele abre as portas para aqueles que o querem, para que os que compreendem que se trata do verdadeiro caminho de vida possam entrar. Não diz o que é preciso fazer para se ser digno ser parte destes.

Mas Ele afirma que certas categorias de pessoas, quase sem o saberem, já fazem parte dele e que se podem maravilhar e alegrarem-se por saberem que o Reino é justamente para os que são iguais a eles.

Quem são estas pessoas?

Poderíamos estar à espera de uma lista de todos os que tem sorte na vida, de todos os que se sentem bem no seu lugar, de todos os que observam e são fiéis à lei. Pelo contrário, Jesus diz-nos que o Reino pertence aos pobres, aos dóceis, aos misericordiosos, a todos os que nas suas vidas têm alguma coisa para terminar. É, em primeiro lugar, a estes que o Reino pertence: os primeiros no Reino são os últimos.

A primeira coisa que aprendemos ao ouvir as Bem-Aventuranças é a respeito do Próprio Deus: Ele ama todos, sem dúvida, mas tem as suas preferências, e as suas preferências são aqueles que o mundo tende a rejeitar, os que são deixados a si próprios: os pobres, os não-violentos, os corações puros… Sendo a Misericórdia a forma de Deus amar, dar o seu coração aos pobres, então ele não poderia começar senão por eles.

Mas as preferências de Deus não são como as nossas: nós temos tendência a preferir alguns e a excluir outros; para Deus é diferente, trata-se de preferir uns para incluir todos.

Com efeito, Deus começa pelos últimos, por baixo, para assim acolher todos.

Aquele que ama compreende bem a lógica de Deus; uma mãe ou um pai não ama todos os seus filhos da mesma maneira, mas ele/ela ama mais os que estão em dificuldade. Só assim ele/ela amará mais aqueles que já não têm necessidade. Somente assim ele/ela amará verdadeiramente todos os seus filhos.

Foi assim que Jesus,  ao inaugurar o seu Reino, começou.

Nós sabemos e cremos que o Reino de Deus é um reino de justiça e de paz. Jesus, no entanto, não está lá para, antes de mais, julgar os que cometem injustiças, punir os que são responsáveis pela pobreza de tantos, perseguir os autores do mal. Ele não promulga leis novas, ele não suprime a injustiça, ele não resolve os problemas. Em vez disso, ele tem a preocupação de olhar para os pobres, para todos os feridos chamando-lhes “bem-aventurados” desde hoje, nesta terra.

Mas qual é esta felicidade, esta alegria que nós não conhecemos e que só o Senhor nos pode revelar?

Os bem-aventurados deste reino são aqueles para quem a vida não é uma fuga para a frente, aqueles que não encontraram escapadelas fáceis.

Os pobres, os dóceis, os misericordiosos, os que são confrontados com as dificuldades e as tragédias da vida, que não procuram salvar-se a qualquer preço nem imporem-se aos outros pela força; bem ao contrário, estão como suspensos, no vazio, sem procurarem preenchê-lo com as suas forças. Eles atravessam as dificuldades sem procurarem explicá-las.

Estes exprimem, mais cedo ou mais tarde, que é justamente aí, na escuridão que se abre um novo caminho para a experiência de Deus: é aí que O encontramos. E se aí encontramos o olhar de Deus, se aí descobrirmos que estamos entre “os preferidos” então a lógica da nossa vida e o critério pelo qual julgamos o que é essencial e verdadeiro e o que o não é, mudaram radicalmente: o que parecia um ganho torna-se numa perda. (cf. Filipenses 3,7).

Estas pessoas, diz Jesus, são verdadeiramente bem-aventuradas, são os que na realidade têm sorte.

Porque a estes, aos que descobriram a lógica da Páscoa inerente a cada drama humano, nada, nunca mais, lhe poderá fazer medo; mesmo as experiências mais difíceis tornam-se misteriosamente preciosas.

É esta a verdadeira alegria!

Podemos pensar que a alegria está ligada ao que possuímos, ao que enche a nossa vida.

As Bem-aventuranças falam-nos de uma alegria, mais profunda, ligada ao que não temos, ao que recebemos de um Outro que não nos dá alguma coisa, mas que se dá a Si Mesmo.

É uma perspectiva de vida que não pode ser explicada nem compreendida teoricamente. É uma experiência de fé que leva a que se julguem as coisas de uma maneiranova.

Só o podem compreender aqueles que o vivem. Para os outros é uma loucura.

                                                                              + Pierbattista

 

Em italiano no original.

Traduzido a partir da versão francesa.